Repensando Confiança

Ainda em cima dos meus estudos sobre confiança, trago provocações da autora e expert Rachel Botsman, nos convidando a desconstruir algumas crenças que aparecem de forma recorrente em conversas pessoais e no trabalho.

“Precisamos construir confiança”

Como abordei no meu último post, para Rachel, não basta querer criar ou construir confiança. Primeiro por que ela depende da outra pessoa querer confiar ou se comprometer com algo, então não há possibilidade de controle. Logo, o melhor é substituir por “ganhar confiança”. O outro ponto é que confiança vem com o tempo. São pequenos gestos, de forma consistente, ao longo de um tempo, que ganhamos a confiança de outra pessoa.

“Tenho a sensação de que posso confiar naquela pessoa”

Os autores Rachel Botsman e Stephen Covey defendem que existe uma ciência por trás da confiança e que analisando os riscos envolvidos, temos resultados melhores do que confiar pela intuição.

E o que nos faz confiáveis? Um conjunto de questões sobre caráter e capacidades.

No que diz respeito a caráter, podemos identificar características de Integridade, ou seja, se as intenções da outra pessoa estão alinhadas com as suas e o quão coerente ela é. A empatia também é um fator que influencia, pois eu preciso sentir o quanto que essa pessoa se importa comigo ou com a situação.

Em relação a capacidades, podemos dizer que as questões de competência são relevantes, ou seja, se a pessoa tem as habilidades, o conhecimento e os recursos necessários para fazer o que está se comprometendo. E, por último, confiabilidade, que fala da sensação de que você pode depender dela, a sua responsividade, sua consistência e a facilidade de acesso à pessoa. É importante termos isso em mente e sabermos o que pedir e esperar da outra parte.

“Precisamos ser transparentes”

É bastante perigoso atrelar confiança à transparência pois ela pode ser uma forma de criar confiança mas é também uma forma de controle. Vemos lideranças preocupadas em microgerenciar suas lideradas, comprovando que há pouca confiança no ambiente organizacional. Precisamos compartilhar as informações necessárias para que o trabalho seja feito, mas não tudo. Quando você não precisa controlar informações e não força alguém a fazê-lo, aí a confiança acontece. Por isso, Rachel diz que transparência é uma ferramenta que pode reduzir a necessidade de confiança, não resolver.

“Estou certa disso”

Muitas vezes ficamos apegadas à ideia de que temos certeza sobre algo, precisando mostrar que sabemos tudo. Quando assumimos que não temos conhecimento, passamos a ser mais confiáveis. Precisamos construir culturas onde as pessoas se vulnerabilizem mais, admitindo que não sabem e estejam dispostas a aprender. Outro ponto importante aqui é que também ganhamos confiança quando estamos dispostas a mudar de ideia, revisitando crenças que não nos cabem mais.

“Fulana é desconfiada”

Muita gente acredita que confiança é um estado natural da pessoa: você é ou não é confiável, é propensa a confiar ou sempre desconfiada. Sim, muitos dos nossos comportamentos podem estar relacionados ao tipo de criação que tivemos. Mas como vimos anteriormente, você pode, por exemplo, ser confiável para manter segredos (integridade), mas não para gerenciar finanças (capacidade). Do mesmo jeito, você pode estar em uma situação que te deixa muito mais propensa a confiar do que em outra. Os fatores que influenciam a nossa propensão em confiar são o ambiente em questão, nossas experiências passadas e o que está em jogo. Mais uma vez, precisamos analisar todas essas variáveis para sabermos o que esperar da outra parte, e de nós também, para lidarmos melhor com a situação.

Ainda assim, nada é garantido

“Confiança é um assunto complexo e é isso que faz do tema ser tão fascinante” diz Rachel. Por mais ciência que exista por trás, sempre há riscos. O importante é que a gente tenha consciência de que podemos gerenciar melhor as nossas relações em busca de confiança. Por último, devemos ter em mente que eficiência é inimiga da confiança, pois esta requer informação, tempo e calma, afinal é com a consistência que ela acontece.

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Designer Cultural

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