O que é o amor? Que formas ele tem? Escolhemos quem amamos? Por que amamos? São algumas das perguntas que o filósofo Renato Noguera tenta responder nessa obra, através de mitos africanos e europeus, e filosofias orientais e ocidentais.

Ao longo do livro (indicado por duas pessoas que respeito muito: Marcelle Xavier e Mari Ferreira), ele destaca diferentes formas de amar, como o amor poligâmico, que inclui toda uma vida em comunidade (que é afetada por este amor) até o amor como desejo por aprender o que ainda não se conhece.

Outros pontos que me chamaram atenção:

  1. A vida como um fenômeno narrativo, e, dependendo de como contamos as nossas histórias, fazemos com que as pessoas se aproximem ou se afastem de nós.
  2. A necessidade de preservação e, ao mesmo tempo, reinvenção do nosso desejo, que pede com que façamos planos. Faz parte do “contar historias”, fazer projetos de futuro.
  3. A lembrança de que o amor monogâmico é uma invenção do capitalismo, que reforça a filosofia de acúmulo de capital e ampliação de patrimônio.
  4. O principio ético da hospitalidade, que fala sobre amar como se estivéssemos recebendo um hóspede, um estrangeiro. Alguém que é diferente de você e que você quer acolher com todos os seus costumes e histórias. Uma linguagem que precisa de tradução. Um encontro que precisa satisfazer esses diferentes indivíduos.
  5. O amor como ato político. Na construção dessa jornada de intimidade, há uma constante necessidade de gestão dos desejos, da admiração, das inseguranças dos indivíduos. E a cada atitude, reforçamos o nosso ser político.

Tenho minhas críticas ao estilo da escrita do Renato, mas o livro me deslocou várias vezes. Identifiquei a minha busca (muitas vezes mal sucedida) por uma boa gestão dos meus afetos: a necessidade de me conhecer cada vez mais, o cuidado com o outro, o respeito pelas individualidades e a valorização dos bons encontros maior do que a vontade de territorializar pessoas.

Por fim, a conclusão do autor me arrebatou, não podendo ser mais simples e sofisticada: amamos por que estamos vivos. Sendo assim, que narrativas queremos criar para as nossas vidas?

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