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Adaptado do livro 9 Mitos sobre o trabalho

Sempre me incomodou bastante falar sobre as características de um bom líder. Primeiro que essa lista muda praticamente a cada ano, como uma tendência e isso é bastante desconcertante, se tratando de um comportamento humano. Segundo por que a gente sempre parece estar descrevendo uma pessoa que só existe em contos de fadas. Mesmo assim, discorri inúmeras vezes sobre os comportamentos desejados em um líder facilitador, servidor, humano, empático, maestro... tudo apresentado em slides, dentro de caixinhas, exatamente como os autores do livro condenam.

O que eles questionam é essa crença de que algumas pessoas possuem "uma qualidade definível, consistente e relevante chamada liderança". Essas características seriam "superiores e distintas de suas habilidades técnicas e interpessoais". Ou seja, tem um pacote de qualidades que todo bom líder possui, que se destaca do resto do mundo. E que, para ser um grande líder, precisamos adquirí-las.

Se pararmos um pouquinho pra refletir, podemos ver que essas características são limitadas e nos levam a contradições, como lembram os autores: "a autenticidade é importante até o momento em que o líder diz, de forma autêntica, que não sabe o que fazer, o que prejudica sua visão. Da mesma forma, a vulnerabilidade é importante até que o líder seja complacente com as próprias falhas e questionarmos se ele é inspirador o suficiente." É a mais pura verdade.

E ainda, é curioso que exista uma indústria gigante de livros, palestras, retiros e programas de desenvolvimento sobre o tema e ainda tenhamos tão poucos bons líderes.

O que não estamos enxergando?

Destaquei pontos que explicam e respondem esta pergunta:

1. A capacidade de liderar é rara

Os autores levantam a tese de que essa nossa busca incessante pelo pacote de características especiais e tentando cada vez adquirir mais dele, além desse ser um assunto tão relevante sobre como pensamos o mundo corporativo, nos mostra uma escassez de líderes e não o contrário: "se liderar fosse fácil, o número de bons líderes seria maior" e "se houvesse mais bons líderes, poderíamos nos preocupar um pouco menos com isso".

2. Líderes tem deficiências

Grandes líderes possuem inúmeras deficiências. Até Martin Luther King não possuía a lista completa de "qualidades da liderança". Isso só reforça a tese de que no mundo real essa lista não existe. O que esses grandes líderes fazem é reforçar o que são bons, muito mais do que tentar melhorar as suas deficiências: "nós os vemos tentando fazer melhor aquilo que já fazem e liderando de formas muito diferentes".

3. Líderes possuem seguidores

"O único fator determinante para saber se alguém está liderando, é saber se alguém está seguindo", diz no livro. Parece uma ideia tão óbvia, mas não a incluímos quando falamos de liderança. E liderança é relacionamento humano. Tente responder às perguntas dos autores: "por que motivo alguém decidiria dedicar energia e correr riscos em nome de outra pessoa?" ou "o que nos faz dar duro até altas horas da noite?".

4. O que vale é a experiência do seguidor

O que faz uma pessoa confiar seu bem-estar e seu futuro em alguém "não é a lista de qualidades de um líder e sim um conjunto de sentimentos do seguidor" dizem os autores. Eles reforçam: "não precisamos ditar como cada líder deve se comportar, mas podemos definir o que todo bom líder deve inspirar em seus seguidores". E seguidores querem pertencer a uma comunidade, ou seja, fazer parte de algo maior e também serem valorizados pela sua individualidade.

5. Liderança é autenticidade e extremismo

A verdade no mundo real é que liderar pode ser muitas coisas diferentes. Sendo assim, o desafio dos líderes é encontrar e aperfeiçoar sua própria maneira de criar pertencimento e individualidade em sua equipe: "quanto mais profunda, radical e clara for a sua idiossincrasia, mais apaixonadamente seus seguidores irão seguí-lo". Martin Luther King uma vez falou: “a questão não é se seremos extremistas, mas que tipo de extremistas seremos”.

6. As pessoas seguem maestria

"O que nos dá confiança no futuro é ver em um líder um grande e acentuado grau de habilidade em algo que nos interessa", diz o livro. "Quando enxergamos nessa pessoa algumas habilidades que compensam nossos déficits e que dissipa parte da névoa do futuro, nós nos apegamos a elas". É uma troca. Seguimos a maestria, sem nos importarmos tanto como ela se manifesta, desde que seja relevante para nós.

O que fazer para desenvolver sua liderança?

  1. É hora de questionar os modelos que você está acostumada a acreditar e começar a prestar atenção em você mesma: quem é, no que é realmente boa, no que acredita de verdade, quais as suas maneiras de lidar com as questões que aparecem na sua vida.

2. Comunique de forma clara, autêntica e constante, qual é a sua maneira de estar no mundo.

3. Quando alguém fizer ou disser algo que te inspira, energiza ou atrai, pare e reflita porquê. Assim, como seguidora, você vai aprender coisas com líderes do mundo real.

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Designer Cultural

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